Depois de vos ter dado uma ligeira explicação sobre o Gene de Li-Fraumeni, e as consequências que advêm dele, posso dizer que, desde que tive este diagnóstico, tenho feito seguimento em consultas de Oncologia Cirúrgica de Risco, com o Dr. Fernando Castro, que de forma muito tranquila me explicou quais os riscos desta mutação e, em que especialidades clinicas teria de fazer acompanhamento com maior frequência.
Encaminhou-me também desde aí, para seguimento em Gastrenterologia, onde faço consultas e exames (endoscopia e colonoscopia com biopsias) anualmente e também seguimento anual em ginecologia (que já fazia e continuo a fazer na minha ginecologista)
Nas primeiras consultas, falou-me logo na possibilidade de se fazer uma cirurgia profilática.
E vocês perguntam: Em que consiste?
Pelo Dr. Fernando Castro:
A cirurgia profilática consiste em remover um órgão onde, com elevada probabilidade, pode surgir um cancro e assim evitar o seu aparecimento. No caso concreto das mulheres portadoras de mutações associadas a risco de cancro da mama, falamos de mastectomia profilática ou redutora de risco, normalmente associada a reconstrução mamária imediata. A possibilidade de realizar esta cirurgia deve ser sempre discutida como alternativa a um programa de vigilância e não como uma indicação formal ou uma inevitabilidade. De facto, trata-se de uma decisão complexa, com muitas implicações imediatas e futuras em termos de qualidade de vida, autoestima e imagem corporal, vida social e vida sexual, entre outros, pelo que a possibilidade de a realizar deve ser discutida com tranquilidade e sob a orientação de uma equipa multidisciplinar que envolva, entre outros, a Oncologia Cirúrgica e Médica, Cirurgia Plástica e Psicologia. Dadas as implicações imediatas e futuras desta cirurgia e a sua irreversibilidade, a decisão da sua realização e a altura mais apropriada para a sua realização deve ser ponderada e amadurecida, para que haja oportunidade de esclarecer a mulher dos benefícios (redução do risco de cancro da mama superior a 95%) e dos riscos (complicações cirúrgicas imediatas e tardias e impacto físico e psicológico a médio e longo prazo) inerentes à realização de uma mastectomia profilática com reconstrução imediata.
É fundamental que, previamente à realização da cirurgia, a mulher seja amplamente esclarecida sobre as potencialidades da reconstrução e sobre as suas limitações. De facto, mesmo um processo de reconstrução bem-sucedido implica alterações profundas na forma, sensibilidade, consistência e implantação da mama reconstruída e, com muita frequência, implica a necessidade de procedimentos adicionais para melhoria do resultado. Dada a complexidade da cirurgia podem também surgir complicações, que podem justificar intervenções adicionais, o que pode atrasar o processo de recuperação e comprometer o resultado final.
Sinto que estou em boas mãos, e que tenho tudo para que dê certo!
Todos juntos, a "Lutar para Vencer" ;)

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